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Moto Watch 120 (Motorola): bonito no pulso, preso ao celular em mais coisas do que parece

Moto Watch 120 preto: corpo de metal, até 10 dias em uso padrão e ligação no pulso, mas o GPS sem celular e a orientação sobre água não estão fechados.

O nome "smartwatch" faz muita gente imaginar um celular pequeno no pulso. O Moto Watch 120, da Motorola, não é isso. Ele é um relógio com corpo de metal e bateria de vários dias, que mostra no pulso o que acontece no seu telefone e faz algumas coisas por conta própria. Entender essa divisão é o que separa quem vai gostar dele de quem vai se frustrar na primeira semana.

Relógio que conversa com o celular

O sistema dele é o Moto Watch OS, da própria Motorola. Não é o sistema de relógio do Google. Na prática, isso quer dizer que a lista de funções é a que a Motorola montou: notificações, controle de música, previsão do tempo, localizar o telefone, mais de 100 modalidades de exercício (com detecção automática) e acompanhamento de passos, batimentos, oxigenação, estresse e sono.

Quem manda é o aplicativo Moto Watch Lite, que existe para Android e para iPhone. E aqui vai o primeiro conselho do texto: o pareamento começa dentro do aplicativo, lendo o QR code que aparece no relógio. A Motorola orienta não iniciar o vínculo só pelo menu de Bluetooth do telefone.

As versões mínimas de Android e de iOS não estão confirmadas. Se o seu celular é antigo, confira antes de comprar.

Há também uma diferença entre os dois mundos. No Android, os dados vão para o Google Fit. No iPhone, vão para o Apple Health, e a sincronização com o Google Fit não vale. Se você usa iPhone e queria juntar tudo no Google Fit, já sabe que não é por esse caminho.

A tela, em duas versões

A página do modelo descreve uma tela AMOLED de 1,43 polegada, com Always On Display (a opção de deixar o mostrador sempre aceso). Na loja brasileira da Motorola, o cabeçalho também fala em AMOLED, mas o texto mais abaixo diz LED de 1,57 polegada. São duas informações da própria marca que não batem.

O mais provável, pela documentação do modelo, é a de 1,43 polegada. Mesmo assim, fica a ressalva. E há outras coisas da tela que não estão confirmadas para a versão vendida aqui: resolução, brilho, brilho automático, taxa de atualização e o material do vidro. Se você é de usar o relógio no sol forte ou liga muito para a fluidez da tela, vale conferir esses pontos antes.

Para personalizar, a Motorola fala em mais de 80 mostradores.

Dez dias, com uma condição

A bateria é de 300 mAh. A Motorola promete até 10 dias em uso padrão e até 5 dias com a tela sempre acesa, sempre "conforme o uso". Ou seja: ligar o Always On corta a promessa pela metade. É a escolha mais importante que você vai fazer no primeiro dia.

Quanto ligações, treinos e notificações mudam essa conta não está confirmado. Então leia os 10 dias como teto, não como garantia.

A recarga é por uma base magnética com contatos, ligada a um cabo. Ele não aceita carregamento sem fio. A marca orienta usar o carregador original e alinhar bem os contatos. A Motorola fala em carga rápida, mas o tempo de uma carga completa não está confirmado.

O GPS, em duas respostas

Este é o ponto que mais pesa para quem corre ou pedala, e a Motorola dá duas respostas diferentes.

Numa delas, a marca diz que o relógio usa o GPS do celular (o que ela chama de GPS conectado ou assistido) e precisa do telefone por perto para registrar o trajeto. Na outra, o suporte do Moto Watch diz que dá para registrar distância, ritmo e trajeto em caminhada, corrida e ciclismo sem levar o celular.

Com duas respostas da mesma marca, não dá para afirmar que ele tem GPS próprio. Meu conselho é simples: se você quer sair para correr sem o celular e ver o trajeto depois, não compre contando com isso. Leve o telefone até a Motorola esclarecer.

Uma coisa está clara: ele não faz navegação curva a curva nem mostra instruções do Google Maps no pulso. É a própria marca que diz.

Água: IP68 e três orientações

O relógio tem classificação IP68. Só que a orientação da Motorola sobre água muda conforme o lugar onde você lê.

A nota que acompanha o IP68 fala em respingos e deixa de fora natação, esportes aquáticos e banheira quente. A mesma nota deixa dano por líquido fora da garantia. Em outro texto de ajuda, a marca fala em até 1,5 metro por 30 minutos e admite natação leve. No manual, a imersão aceita é breve, entre 15 centímetros e 1 metro. E, no atendimento da loja brasileira, a recomendação também é não mergulhar nem nadar com ele.

Pra mim, a leitura segura é a mais restrita: chuva, suor e respingo, sim. Piscina e mar, não. Se o relógio molhar por acidente e der problema, a nota da própria marca já avisa que a garantia não cobre.

Ainda sobre água, a Motorola pede para tirar o relógio no banho quente e na sauna.

Ligação, aviso e assistente

O Moto Watch 120 tem microfone e alto-falante. Dá para fazer e receber ligações pelo relógio, no viva-voz, com o celular conectado por Bluetooth (versão 5.3). A Motorola informa que ele não tem chip próprio: nada de LTE nem eSIM. Longe do telefone, nada de ligação.

O assistente de voz também é o do celular. O relógio só aciona o que já está no seu telefone, seja o do Google ou o da Samsung.

Responder mensagens direto pelo relógio, pagamento por aproximação e instalação de aplicativos de outras empresas não estão confirmados para esta versão. Se algum desses é o motivo da compra, confira antes.

E um detalhe para quem pensa em comprar para um familiar mais velho: a Motorola informa que o alerta de queda com chamada automática de emergência não está disponível no Brasil.

Os números de saúde

A Motorola lista acompanhamento de batimentos, de SpO2 (uma estimativa da oxigenação do sangue), de estresse e de sono, com as fases REM, profunda e leve. A marca informa que não precisa de assinatura para usar a oxigenação.

Leia esses números como estimativa do relógio, não como exame nem diagnóstico. Dúvida de saúde não se resolve olhando o pulso. Para isso, médico.

Para a leitura sair do jeito que a Motorola orienta, use o relógio ajustado, um pouco acima do osso do punho.

Corpo, pulseira e carga

A caixa do relógio é de liga de zinco e a pulseira, de silicone preto. As medidas são 50,6 × 44,6 × 11 mm, com 55 gramas. A pulseira tem 22 mm de largura e 175 mm de comprimento (com variação de 5 mm para mais ou para menos). As medidas de pulso que ela atende não estão confirmadas. Se o seu pulso é muito fino ou muito largo, meça antes.

Na limpeza, a Motorola pede água morna e pano de microfibra, e secar com pano macio. Nada de sabonete, xampu ou produto químico. Depois de suor ou água salgada, enxágue, seque e só então coloque para carregar, com os contatos limpos e secos. A troca de bateria só pode ser feita pela fabricante ou por assistência autorizada.

Onde eu fico

Eu gosto do Moto Watch 120 como relógio do dia a dia. Corpo de metal, tela AMOLED (pela documentação do modelo), ligação no pulso e até 10 dias de bateria sem o Always On formam um conjunto bom pra quem quer ver notificações, contar passos e atender o telefone sem tirar o aparelho do bolso.

Onde ele frustra é em quem espera independência. GPS sem celular não está confirmado, não tem chip, não faz navegação no pulso e a água tem três orientações diferentes. Para treinar com o telefone junto e sem nadar, ele atende. Para correr sem celular ou para piscina, eu não compraria ele hoje.

E, sim, ele custa quase 80% a mais que o Multi G2R neste mês. A diferença paga corpo de metal, tela AMOLED (pela documentação do modelo) e bateria de capacidade maior, não um GPS confirmado.

A caixa certa

Este texto é sobre o Moto Watch 120 preto. As versões prata e ouro rosa existem, mas aqui o assunto é a preta. O Moto Watch (sem número), o Moto Watch Ultra e os kits com fone são outros produtos.

Na caixa vêm o relógio, a pulseira de silicone, o cabo de carregamento e o guia rápido. A garantia é de 1 ano.

Meu conselho para o primeiro dia: pareie pelo aplicativo, decida logo se vai usar a tela sempre acesa e não leve o relógio para a piscina. Com essas três decisões tomadas, você começa sem surpresa.

Equipe de relógios e vestíveis · ComparaDigital

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