Para entender · Periféricos de trabalho · Mouse sem fio

DPI de mouse: o número da caixa e o que ele muda na sua tela

O que o DPI do mouse muda na sua tela, por que número maior não é mouse melhor e quando o ajuste do sistema resolve.

Mouse de 1.600 DPI parece 60% "melhor" que mouse de 1.000. Não é. DPI não mede qualidade: mede quanto o cursor anda na tela a cada movimento da sua mão. Existe mouse ótimo com número baixo e mouse fraco com número alto.

O que o número quer dizer

DPI é a sigla, em inglês, de "pontos por polegada". Uma polegada tem 2,54 cm.

O sensor do mouse fica "contando passos" enquanto você mexe a mão. Em 1.000 DPI, ele avisa o computador de 1.000 passos a cada polegada percorrida. Em 1.600 DPI, são 1.600 passos na mesma distância. Cada passo, em regra, vira um ponto da tela (o pixel).

Dois exemplos de mouse simples, com receptor USB:

  • o Logitech M170 trabalha em 1.000 DPI, e esse valor é fixo;
  • o HP 150 sem fio chega a 1.600 DPI, segundo a HP.

A conta na sua tela

Uma tela Full HD tem 1.920 pontos de largura. Na conta simples, com a velocidade do ponteiro no padrão do sistema:

  • em 1.000 DPI, você atravessa a tela de um lado ao outro movendo o mouse uns 5 cm;
  • em 1.600 DPI, uns 3 cm.

Num monitor 4K, com 3.840 pontos de largura, a distância dobra: perto de 10 cm em 1.000 DPI e de 6 cm em 1.600.

É conta de padaria, porque o sistema mexe nesse resultado (já chego lá). Mas dá a ideia: o DPI decide quanto braço você gasta pra cruzar a tela.

Por que mais DPI não é "mouse melhor"

Porque o número fala de sensibilidade e de mais nada. Ele não diz:

  • se o sensor erra pouco ou muito;
  • se ele acompanha um movimento brusco sem se perder;
  • se o clique é macio, se a pilha dura, se o mouse cabe na sua mão.

E tem o outro lado. Cursor rápido demais atrapalha: fica difícil parar em cima de um botão pequeno ou selecionar uma palavra só. Muita gente que joga jogo de tiro prefere DPI baixo, de 800 ou menos, pra mirar com calma.

Onde entra o ajuste do sistema

Windows, macOS, ChromeOS e Linux têm um controle de velocidade do ponteiro. Ele multiplica ou divide os passos que o mouse manda.

Diminuir é tranquilo. O sistema usa só uma parte dos passos e o cursor anda devagar, sem perder capricho.

Aumentar muito tem um custo. Como o mouse não manda mais passos do que consegue contar, o sistema estica cada um: um passo vira dois pontos na tela, ou mais. O cursor chega longe, mas anda "aos pulinhos", e acertar um detalhe pequeno fica mais difícil.

Existe ainda a aceleração (no Windows, a opção se chama "aprimorar precisão do ponteiro"). Com ela ligada, o cursor anda mais quando a mão se move rápido e menos quando se move devagar. Ajuda a cruzar a tela, mas muda a conta dos centímetros.

Isso explica o que acontece com um mouse de DPI fixo. O M170 não tem botão pra trocar a sensibilidade: qualquer acerto é feito no sistema. Já a HP fala em "até" 1.600 DPI no HP 150 e não explica se dá pra escolher um valor menor no próprio mouse. Se não der, o caminho é o mesmo: o sistema.

Quando o número importa

  • Monitor grande ou de alta resolução (Quad HD, 4K), onde há muito ponto pra atravessar.
  • Duas telas lado a lado.
  • Mesa apertada, em que o mouse tem pouco espaço pra correr.

Nesses casos, um sensor com mais DPI cobre a tela sem obrigar o sistema a esticar tanto cada passo.

Quando não importa

  • Notebook e monitor Full HD, com planilha, texto e navegador: 1.000 DPI dão conta.
  • Quando você já acha o cursor rápido. Aí mais DPI só vai fazer você baixar a velocidade no sistema.
  • Pra saber se o mouse é bom. Essa resposta está no sensor, no clique, no formato e na pilha.

A regra cabe numa linha: tela grande pede mais DPI; mouse bom pede bem mais do que DPI.

Equipe de periféricos · ComparaDigital

Dois produtos para ver isso na prática